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Ecrãs a postos para o ano escolar

A internet é cada vez mais uma ferramenta indispensável para as atividades letivas das crianças e jovens. Curiosamente é em casa que as crianças têm um acesso mais efetivo à internet. Este dado é especialmente relevante para se perceber a importância que o ambiente familiar tem, quer para dar acesso à informação digital, quer para ajudar as crianças a criarem chaves de consumo crítico da informação que encontram online.

LUÍS PEREIRA

Houve altura em que a preparação da mochila do dia seguinte era bem mais simples do que acontece nos nossos dias. E não será necessário sequer recuar ao tempo da lousa e do giz. A mochila com o porta-lápis, cadernos e livros, já não é o único requisito para enfrentar o desafio que cada ano coloca.

A internet, por exemplo, é cada vez mais uma ferramenta indispensável para as atividades letivas das crianças e jovens. Curiosamente é em casa que as crianças têm um acesso mais efetivo à internet. Daí a ideia de que a escola não é espaço único com responsabilidade de preparar os jovens. Esta pressão de fornecer um ambiente de aprendizagem moderno em casa é acrescida pelo facto de não se limitar à compra de computador ou aos gastos com banda larga. Tão ou mais importante quanto isso é a atenção que os adultos terão de prestar à forma como os seus educandos constroem sentido através das consultas na internet.

A literacia digital — a capacidade para se movimentar nos ambientes digitais — está dispersa por vários contextos. Este dado é especialmente relevante para se perceber a importância que o ambiente familiar tem, quer para dar acesso à informação digital, quer para ajudar as crianças a criarem chaves de consumo crítico da informação que encontram online.

Seria difícil imaginar uma boa parte das nossas atividades sem a internet e uma ferramenta como o Google. Para os pais, que cresceram numa altura em que não existiam estas ferramentas, nem sempre é fácil compreender como opera o motor de pesquisa. A parte positiva é que estamos todos a tentar assimilar as implicações destes novos hábitos.

Vale a pena olhar para algumas peripécias que resultam daquilo que o Google sabe sobre os que utilizam os seus vários serviços. O Google – talvez se devesse dizer a (empresa) Google — inclui diversos serviços muito populares, como o GMail, o Google Maps, o YouTube, entre outros, que se ligam, por sua vez, a outros ferramentas utilizadas.

É muito frequente os utilizadores das redes sociais depararem-se com anúncios no seu mural do Facebook relacionados com o que procuraram pouco antes. Basta fazer algum tipo de pesquisa sobre uma viagem ou sobre um determinado destino para começarmos a ser inundados com anúncios e promoções relacionadas com esse local. Ou então, quando se altera o estado civil, por exemplo, para comprometido, é provável que os utilizadores passem a ver publicidade sobre casamentos.

Outra situação interessante — e talvez não seja do conhecimento de todos – é o facto de ser possível aceder ao histórico de vídeos visto no YouTube ou a todas as pesquisas que fizermos através do Google: se estiver definido como motor de busca no nosso computador, qualquer palavra pesquisada ou site visitado ficará registado.

Uma última curiosidade: caso tenha um telemóvel Android e esteja acionada a funcionalidade de localização, ficam registados todos os locais onde esteve desde que possui esse aparelho. Através deste endereço, https://maps.google.com/locationhistory, pode verificar em cada dia os sítios por onde passou.

Existe a possibilidade de limitar o acesso a alguma informação, por exemplo, desativando o acesso à localização. Por outro lado, é muito difícil impedir que muitos dados sejam retidos por esta empresa americana. Basta utilizar o seu serviço de email para que o conteúdo das nossas mensagens passe a fazer parte da base de dados da Google.

Estar consciente destas opções é importante para que as crianças e jovens utilizadores destes serviços percebam as suas implicações (ou pelo menos algumas delas). É claro que isto poderá ser usado pelos próprios pais como uma forma de os controlar. O mais eficaz será, em conversas sobre tecnologias e privacidade, que se conheça mais sobre as lógicas destas ferramentas e as empresas que as detêm.

Numa era digital, é impensável aprender sem a ajuda do computador, tablets e até os smartphones e sem a quantidade de conteúdos digitais educativos a que nos dão acesso. Aprender a usá-los de forma crítica é um desafio que deve fazer parte das preocupações de quem tem a missão de preparar as crianças e jovens para viver neste mundo cada vez mais dependente dos meios digitais.

Ao longo dos próximos textos falaremos de algumas propostas sobre como fomentar uma relação crítica com estes meios, como redes sociais, videojogos, entre outros.

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