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Maior uso das TIC na escola requer mudanças na política educativa, alerta a OCDE

Onde é que os alunos estão a usar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC): em casa ou na escola? O mais recente relatório do PISA – Programme for International Student Assessment – mostra um ensino longe de aproveitar o potencial dos novos media.

Andreia Lobo | Educare

O relatório “Students, Computers and Learning: Making the Connection” mostra como milhares de alunos de 31 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estão a usar os computadores em casa e na escola. O EDUCARE.PT faz uma leitura aprofundada dos dados publicados e inicia o primeiro de diferentes artigos para revelar as principais conclusões dos investigadores.

Em 2012, 96% dos alunos com 15 anos tinham computador em casa, mas apenas 72% usavam computador, portátil ou tablet na escola. Em alguns países, menos de um em cada dois alunos. A quantidade de computadores em casa dos participantes no PISA  aumentou de 2009 para 2012, em 49 dos 63 países e economias com ligação à OCDE. Não é de estranhar, por isso, que os alunos comecem a lidar com estes equipamentos aos 6 anos (Dinamarca, Finlândia, Israel, Noruega e Suécia) e os 9 anos, segundo a média da OCDE.

Outro indicador mostra a idade com que experimentaram navegar na Internet: 57% dos participantes no PISA tinham menos de 10 anos. Com essa mesma idade, 76% deles já usavam o computador.

Durante a semana, os jovens passam em média duas horas por dia online. Mas não a estudar. A atividade mais comum é navegar na Internet por diversão. Cerca de 88% dos alunos admitem fazê-lo pelo menos uma vez por semana – 6% mais do que em 2009.

Pais e professores não ficarão surpreendidos, garante a OCDE, com outra descoberta: os alunos que passam mais de seis horas online por semana fora da escola confessam sentirem-se sozinhos na escola, chegar atrasados ou mesmo faltar às aulas.

PC, portáteis e tablets
De 2009 a 2012, a percentagem de alunos que usam computadores na escola aumentou apenas em 1% (era de 71% em 2009). Mudou a frequência do uso, aumentando em quase todos os países neste período. Austrália, Dinamarca, Holanda e Noruega registaram a maior integração das TIC em meio escolar. E hoje há mais alunos a usar o computador para trabalhos ligados à escola, dizem os autores do estudo. Um fenómeno que pode estar ligado à implementação de programas de aquisição de portáteis em larga escala. Como foi feito na Austrália, Chile, Grécia, Nova Zelândia, Suécia e Uruguai.

Mas vamos por partes. Depois de apurar que sete em cada dez alunos usavam o computador, portátil ou tablet na escola, o PISA 2012, tal como no de 2009, quis saber com que frequência se envolviam em nove atividades durante essa utilização. A lista incluía usar janelas de conversação online, e-mail, navegar na Internet para trabalhos escolares, descarregar, enviar ou procurar materiais na página da escola, publicar trabalhos na página da escola, fazer simulações na escola, praticar ou repetir aulas para aprender uma língua estrangeira ou matemática, fazer trabalho individual no computador da escola, usar os computadores da escola para trabalhos de grupo ou comunicar com outros alunos.

Em 2009 os computadores da escola serviam essencialmente para navegar na Internet. De facto, era o que 42% dos alunos faziam pelo menos uma vez por semana. No fundo da lista, envolvendo apenas 11% dos alunos estava a prática de simulações em computadores.  Durante os três anos que medeiam os dois estudos do PISA, a percentagem de alunos a usarem os computadores para tarefas relacionadas com a escola “aumentou significativamente”, em todos os países da OCDE.

Mas vamos por partes. Depois de apurar que sete em cada dez alunos usavam o computador, portátil ou tablet na escola, o PISA 2012, tal como no de 2009, quis saber com que frequência se envolviam em nove atividades durante essa utilização. A lista incluía usar janelas de conversação online, e-mail, navegar na Internet para trabalhos escolares, descarregar, enviar ou procurar materiais na página da escola, publicar trabalhos na página da escola, fazer simulações na escola, praticar ou repetir aulas para aprender uma língua estrangeira ou matemática, fazer trabalho individual no computador da escola, usar os computadores da escola para trabalhos de grupo ou comunicar com outros alunos.

Em 2009 os computadores da escola serviam essencialmente para navegar na Internet. De facto, era o que 42% dos alunos faziam pelo menos uma vez por semana. No fundo da lista, envolvendo apenas 11% dos alunos estava a prática de simulações em computadores.  Durante os três anos que medeiam os dois estudos do PISA, a percentagem de alunos a usarem os computadores para tarefas relacionadas com a escola “aumentou significativamente”, em todos os países da OCDE.

Do mesmo modo, os alunos começaram a usar mais os computadores para trabalhar de forma isolada: conversação online, prática e pesquisa ou trabalhos de casa. A percentagem de jovens envolvidos nestas atividades, pelo menos uma vez por semana, aumentou 4%. “Talvez como reflexo do maior acesso a portáteis e outros dispositivos móveis na escola”, avançam os autores do estudo.

Quando todas as atividades são condensadas num índex de utilização das TIC na escola, Austrália, Dinamarca, Holanda e Noruega surgem no topo da lista. Pelo contrário, Japão, Coreia e Xangai- China fazem menos uso do computador na escola. “Quando os alunos dizem não usar com frequência o computador na escola” -  alerta a OCDE – “não significa que as TIC não sejam usadas”. Em Xangai os alunos confirmam o uso de computadores nas aulas de matemática. E referem, mais vezes que os colegas da OCDE, que os professores recorrem às TIC para lecionar: “Talvez se refiram a projetores e a quadros interativos”, especulam os investigadores da OCDE. Que também reconhecem falhas no PISA por não apurar o uso de smartphones na escola, uma vez que os alunos podem não o ter incluído nas respostas relativas ao uso de “computador”.

Outros indicadores apontam para um decréscimo no uso das tecnologias. Uma grande queda de menos 21 pontos percentuais é observada na Coreia entre 2009 e 2012. Em 2012 apenas 42% dos alunos coreanos admitiam usar o computador na escola, a segunda menor percentagem entre os 42 países e economias analisadas, depois de Xangai onde 38% dos alunos diziam o mesmo. Na Dinamarca, o segundo país a seguir à Holanda, onde mais alunos usavam computadores na escola em 2009, esta percentagem encolheu 6% e ficou abaixo dos 90% em 2012.

Na escola cada aluno passa em média 25 minutos ligado, segundo a média da OCDE. Na Austrália, o tempo é mais do dobro: 58 minutos. Na Dinamarca os alunos gastam em média 46 minutos na Internet, na Grécia, 42 minutos, na Suécia, 39 minutos. Em 11 países e economias - a saber: Alemanha, Itália, Japão, Jordânia, Coreia, Macau-China, Polónia, Xangai-China, Singapura, Turquia e Uruguai -, num típico dia de aulas a maioria dos alunos não acede à Internet na escola.

Na sala de aula
Em 2009, o PISA mostrava que a utilização do computador durante as aulas é maior nas áreas relacionadas com as línguas e as ciências do que na Matemática, onde apenas 15% dos alunos mencionavam ter usado o equipamento pelo menos uma vez por semana. 

O PISA 2012 foi mais longe na análise deste uso. De uma lista de tarefas matemáticas (que incluíam desenho gráfico de funções, construção geométrica de figuras, reescrita de expressões de álgebra, entrada de dados em folhas de cálculo, etc.), foi pedido aos participantes para identificar as que tinham sido mostradas em computador pelos professores. Uma minoria respondeu ter visto alguma destas tarefas a ser realizada em sala, no mês anterior à pesquisa. Para 14% dos alunos, os professores limitaram-se a demonstrar o uso no computador; 32% confirmaram que eles ou os seus colegas fizeram pelos menos uma tarefa. Confirmando, assim, o pouco uso dos computadores no ensino da Matemática.

Aos diretores das escolas, os investigadores do PISA perguntaram pela existência de alguma política curricular que guiasse os professores na utilização das TIC para o ensino da Matemática. Em média, 32% dos alunos frequentam escolas onde essa diretiva existe, mas a percentagem varia de 93% na Eslovénia a 5% na Suécia.

Esta divergência entre o que está no currículo e a prática dos docentes leva a OCDE a concluir que “o aumento do uso de computadores no ensino da Matemática depende mais do professor e dos alunos do que da existência de políticas da escola para o efeito”.

TPC
Os alunos usam mais o computador de casa - ou outros computadores - que os da escola para fazer trabalhos escolares. Por exemplo, enquanto 42% dos alunos acedem à Internet para os trabalhos escolares uma vez por semana na escola, 55% fazem-no fora do estabelecimento de ensino. 

Nos países da OCDE, 48% dos alunos faz os trabalhos de casa (TPC’s) no computador, 38% usam o e-mail para comunicar com outros alunos sobre os trabalhos da escola, 33% partilham materiais relacionados com a escola com outros alunos. As atividades menos frequentes são as que implicam uma presença online do docente ou o acesso à página da escola. Assim, apenas 21% usam o email para comunicar com o professor ou entregar trabalhos, 30% verificam se existem alguns anúncios do seu interesse na página da escola e 30% fazem carregamento ou descarregamento de materiais da página da escola.

Dinamarca, Estónia, Holanda e Uruguai são os países onde o índex do uso dos computadores fora da escola para fazer trabalhos escolares atinge maiores valores. Mais de 70% dos alunos dinamarqueses e uruguaios fazem os TPC no  computador, pelo menos uma vez por semana. Na Holanda e na Estónia, a larga maioria acede à página da escola para ver se há informações relevantes ou para fazer o descarregamento de materiais. Finlândia e Japão são os países onde os alunos menos utilizam o computador fora da escola para fazerem os trabalhos escolares. Muito devido às políticas educativas contra a realização de TPC, explica a OCDE.

Os investigadores notaram ainda que em muitos países o uso das TIC na escola fica abaixo da média da OCDE, mas o seu uso fora da escola – para os trabalhos relacionados com a escola – regista valores acima da média. Croácia, Estónia, Letónia, Portugal e Uruguai são os exemplos “mais notáveis” desta dissonância.

Desconectados
Sem ligação à Internet o uso que os alunos fazem do computador fica limitado. Perdem o acesso a enciclopédias online e a conteúdos multimédia em línguas nativas e estrangeiras. Por isso a OCDE reconhece que “uma ligação à Internet em casa representa uma diferença substancial nos recursos educacionais”.

Os dados mostram que 93% dos estudantes têm Internet em casa. Na Dinamarca, Finlândia, Hong Kong-China, Islândia, Holanda, Noruega, Eslovénia, Suécia e Suíça, 99% dos agregados familiares dispõem de uma ligação à Internet. Apenas em cinco países que participaram no estudo PISA 2012 - Indonésia, México, Peru, Tailândia e Vietname - menos de um em cada dois lares está conectado. Em quase todos os países, acesso à Internet aumentou entre 2009 e 2012. O aumento médio da OCDE foi de 5 pontos percentuais. Albânia, Costa Rica, Jordânia, a Federação Russa e da Sérvia tiveram a maior expansão, com aumentos de mais de 25 pontos percentuais.

Infraestruturas 
Em 2012, tal como em 2009, as escolas estavam equipadas com um computador para quatro a cinco alunos. O aumento registado da utilização de portáteis e tablets nas escolas, como mostra o PISA, faz uma “grande diferença”, porque permite o acesso na aula em vez de o restringir aos computadores do laboratório ou da biblioteca.

Em 2012 os computadores “de secretária” continuavam a ser os equipamentos mais comuns nos estabelecimentos de ensino da OCDE. Mas 43% dos alunos já tinham acesso a portáteis na escola e 11% a tablets. As taxas mais elevadas de uso de portáteis registavam-se nesse ano na Dinamarca (91%), Austrália (89%), Noruega (87%), Suécia (75%) e na Federação Russa (64%). Programas de distribuição de portáteis contribuíram para o aumento da utilização em cerca de 20 pontos percentuais na Austrália, Chile, Suécia e Uruguai. Tablets escolares, por outro lado, estavam disponíveis para mais de um em cada cinco alunos na Dinamarca (35%), Jordânia (29%), Singapura (23%) e Austrália (21%), em 2012.

No entanto, os portáteis e os tablets entraram nos estabelecimentos de ensino quando já lá existiam computadores disponíveis, sublinha a OCDE. Por esse motivo, “foram poucos os países onde estes programas (realmente) expandiram o acesso aos computadores nas escolas”. As “mais notáveis exceções” a esta regra registaram-se na Austrália, Espanha e Uruguai, onde o aumento de computadores no meio escolar se fica a dever inteiramente aos portáteis e aos tablets.

Outros equipamentos TIC também chegaram às escolas entre 2009 e 2012. Destacam-se entre eles os e-books, disponíveis nas escolas a mais de um em cada cinco alunos na Jordânia (39%), Grécia (37%), Sérvia (23%), México (22%), Chile e Hungria (20%).

A OCDE acredita que “para potenciar o uso das tecnologias da informação e comunicação  na escola, professores e indústria devem criar e desenvolver novos recursos educacionais, tais como programas, manuais e planificações de aulas”. Mas também mudanças ao nível das políticas educativas, dos currículos e da formação inicial de professores.

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