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TV versus YouTube

Muitas vezes se tem dito que a televisão assume, por vezes, o papel de baby-sitter. Talvez os vídeos do YouTube possam ter essa função.

LUÍS PEREIRA

Alguns dados sobre os consumos de media têm mostrado uma tendência para as crianças diminuírem o tempo em frente à televisão em favor de um uso mais frequente de aparelhos como os tablets. Dito desta forma, parecerá que as crianças estariam a consumir menos programas televisivos – mas não é bem isso que os dados da Ofcom (Reino Unido) referem. Vê-se menos televisão de forma tradicional, é certo, mas os programas são antes recuperados mais tarde (on demand). O que ganha relevo também é uma atividade, das mais favoritas das crianças, que é ver vídeos na Internet, sobretudo através do canal mais conhecido YouTube. Embora uma boa parte dos vídeos que aí aparecem sejam programas que pass(ar)am na televisão, altera-se a forma de consumir os conteúdos, ficando do lado do consumidor uma maior capacidade de organizar e selecionar o que quer ver.

A lista seguinte apresenta algumas ideias para explorar este atividade de ver vídeos. As dicas estão mais focadas no YouTube, mas há muitos outros sites e serviços que disponibilizam vídeos.

1. O que significa ver televisão? Vale a pena partilhar com os filhos a forma como se via televisão quando os seus pais eram crianças: podia ser a preto e branco, apenas dois canais, poucos programas para as crianças... Agora, os tablets e os telemóveis são os aparelhos preferidos para aceder a vídeos, mas também as televisões mais recentes (LCD, Plasma, 3D, Smart TV, 4K... são alguns dos termos que baralham quem se propõe comprar uma aparelho novo) permitem que aí se vejaM vídeos do YouTube! Um pouco confuso, sobretudo na cabeça de quem cresceu com a televisão tradicional. Para as crianças é mais natural, mas vale sempre a pena tentar que elas percebam que nem sempre foi assim e, em muitas realidades, sobretudo nos países mais pobres, ainda não existem estes meios.

2. YouTube como baby-sitter? A ideia de ver televisão em família pode ser facilmente substituída por uma atividade (ainda) mais isolada. Tendo a facilidade de escolher aquilo que mais gostamos de ver, o que não agrada necessariamente a toda a família, facilmente cada um pode ver os seus vídeos/programas preferidos. No YouTube encontram-se excertos de programas que nos acompanharam na infância. Partilhar vídeos como o Vitinho, ou outros, pode ser uma forma diferente de mostrar como aparecia a televisão no nosso dia a dia. Por outro lado, ver vídeos com as crianças ajuda os pais a conhecerem aquilo que as diverte mais, podendo usufruir desses momentos. Muitas vezes se tem dito que a televisão assume, por vezes, o papel de baby-sitter. Talvez os vídeos do YouTube possam ter essa função. O que não é necessariamente mau – os pais precisam que os filhos estejam algum tempo entretidos para as muitas tarefas que têm de fazer. Mas é sempre importante saber dosear.

3. Conteúdos educativos de qualidade. Uma das grandes vantagens do YouTube é que podemos encontrar vídeos sobre quase tudo. Há, por isso, muitos vídeos educativos e de grande qualidade. Com pesquisas mais ou menos elaboradas, os pais poderão encontrar excelentes recursos para aprender inglês, documentários para aprender ciência, ou então sobre história, entre muitos outros tópicos. No YouTube há canais (curiosa nomenclatura!) que podemos seguir, de forma a recebermos notificações sobre quando são publicados novos vídeos. Muitas das grandes instituições disponibilizam os seus programas ou parte deles através do seu espaço oficial no YouTube. Os pais podem ainda fazer uma lista dos vídeos favoritos, o que permite que as crianças possam navegar por esses conteúdos pré-selecionados.

4. YouTube Kids app. Recentemente, foi lançada uma aplicação YouTube para os meus pequenos. O conteúdo que aí aparece é controlado e há possibilidade de os pais limitarem o tempo que os seus filhos podem dedicar a esta atividade. Ao contrário do canal normal, os vídeos que aqui aparecem são dirigidos a crianças. Isto permite-lhe ter mais autonomia: depois de um vídeo a criança pode selecionar outro a partir das sugestões que são feitas (nem sempre é garantido que seja adaptável para uma determinada idade). Por outro lado, é relevante perceber que os dados a que a empresa que detém este serviço de vídeos tem acesso é de valor incalculável. A Google, a empresa que detém o YouTube, passa a saber o que é que as crianças mais veem e pode inserir publicidade ou vídeos de carácter publicitário dirigido a um público infantil.

5. Estimular a criatividade. A última sugestão passa por explorar a possibilidade de fazer vídeos e de os partilhar através do YouTube. Não tem necessariamente de aparecer a imagem delas (uma das coisas que é percebida como mais arriscada é publicar imagens ou vídeos com crianças), pode ser sobre um qualquer tópico, como animais ou uma viagem. Pedir que as crianças filmem, fazer algum tipo de edição e publicar no YouTube ajuda-as a perceber que a Internet lhes dá a possibilidade de poder criar e não apenas de consumir conteúdos. Este estímulo à criatividade passa também por aceder a conteúdos que desafiem a nossa imaginação. Por exemplo, procurando por “videos 360” num dispositivo móvel, uma criança terá uma experiência completamente diferente, que nunca poderia acontecer com uma televisão.

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