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Crianças com tablets e contas bancárias dos pais

Foi notícia há pouco tempo o caso de uma família que recebeu em casa uma conta de cerca de 100 mil euros por atividades do seu filho de 12 anos na Internet. Mas este não é caso único. Seguindo algumas estratégias, os pais podem minimizar os riscos de lhes aparecerem itens inesperados na sua conta bancária.

LUÍS PEREIRA

O verão já terminou e agora que os dias começam a ficar mais curtos e frios, é expectável que as crianças passem mais tempo em casa. E com isso as atividades nos tablets ou nos telemóveis tendem a aumentar. Há motivos para os pais estarem atentos ao que as crianças fazem online? Sim, há pelo menos cem mil!

Explicando, foi notícia há pouco tempo o caso de uma família que recebeu em casa uma conta de cerca de 100 mil euros por atividades do seu filho de 12 anos na Internet. Mas este não é caso único. Tem havido várias notícias de gastos no cartão de crédito que surpreendem os pais. E muitos outros casos haverá que não chegam aos jornais, sobretudo porque são somas menos relevantes. Mas acontecem.

Seguindo algumas estratégias, os pais podem minimizar os riscos de lhes aparecerem itens inesperados na sua conta bancária. No que toca a utilizadores de Android, é possível na Play Store estabelecer a necessidade de autenticação para cada compra e também ativar a opção de controlo parental, o que permite regular o tipo de conteúdo disponível. Pode fazer isso nas definições da Play Store/Google Play.

Para os utilizadores de aparelhos da Apple, sugere-se que nunca partilhem com os seus filhos a palavra-passe do iTunes ou App Store. Desta forma, para instalar um novo jogo, os pais têm de inserir a password eles próprios.

A lógica desta indústria das apps (abreviatura para aplicações, que se trata de software desenhado para dispositivos móveis) está feita para dar a ilusão de que um determinado jogo é grátis, ou tem um custo muito baixo. Um dos problemas é que os jogos, mesmo sendo gratuitos, depois exigem algum tipo de pagamentos quer para progredir, para aceder a várias funcionalidades, para obter mais rapidamente certos poderes ou regalias nos jogos.

Para os utilizadores de iPad ou iPhone, em Definições/Geral/Restrições, é possível ativar uma série de limitações, por exemplo impedir In-App Purchases, ou seja, gastar dinheiro dentro dos jogos. É possível ainda estabelecer uma nova senha para que mais ninguém possa alterar estas definições.

Já se vê que é necessário algum tipo de conhecimento tecnológico, mas vale a pena perder algum tempo com estes passos para evitar surpresas desagradáveis. No entanto, se algum dia isso acontecer, não custa contactar quem está a cobrar e apresentar queixa. Não é certo que a dívida venha a ser perdoada, mas nunca se sabe. Para além disso, reclamando, as empresas que criam os jogos e as plataformas que os disponibilizam sentem a pressão dos pais. Estas precisam de tomar alguma responsabilidade no papel que têm e a influência de vários utilizadores pode ajudar a que isso aconteça. Bom, não faz mal ser um pouco otimista.

Se os pais seguirem algumas das dicas apresentadas, ainda que assegurem alguma tranquilidade, não resolvem completamente o potencial perigo de gastos não programados (autorizados). Educar as crianças para usarem estes meios passa também por discutir com elas a lógica comercial por detrás destas apps ou jogos. Mesmo que o jogo seja grátis, há algum tipo de retorno e é preciso entender qual. É que algumas empresas aproveitam-se do entusiasmo que os jogos despertam para cobrar dinheiro sem que isso seja explícito. Os dispositivos de controlo parental podem ser muito úteis para a prevenção, mas para uma promoção de literacia digital, a utilização consciente e responsável deve ser igualmente considerada.

Perguntando à criança porque é que quer aquele jogo, se já viu alguma avaliação, está a promover algum sentido crítico. Muitas vezes é porque os amigos estão a jogar. Já agora, vale a pena reparar se usam a versão multiplayer, que lhes permite jogar e interagir com outros jogadores online, conhecidos ou não (algo difícil de controlar automaticamente). Estas estratégias de mediação parental, em conjunto com as dicas tecnológicas, serão mais eficazes para combater e evitar os gastos inesperados.


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