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O que é digital é bom

Não deixa de ser curioso que ferramentas que usamos para aumentar a produtividade no trabalho ou melhorar a aprendizagem possam, na verdade, ser disruptivas dessas mesmas tarefas.

LUÍS PEREIRA

Nos últimos dias, graças ao evento Web Summit, muito se ouviu falar de start-ups e de outros termos ingleses. Embora este tipo de ambiente cool apresente a tecnologia num embrulho o mais democrático possível, algumas pessoas chamam a atenção para o enfoque numa gíria tecnológica que exclui. Para além de criar uma certa pressão nos cidadãos – o imperativo de ser digital – a verdade é que muitas vezes se trata de um discurso um pouco vazio em torno da inovação e do empreendedorismo.

Esta retórica de que o digital é que é acontece também na educação, com as políticas tecnológicas da educação, também conhecidas como políticas para a sociedade da informação. Estas políticas, de que é exemplo o conhecido plano tecnológico, são uma das faces mais visíveis das estratégias que pretendem implementar as tecnologias através da educação. Neste sentido, a escola é um dos veículos para criar consumidores o mais cedo possível.

Alguns investigadores procuram alertar para o enfoque exagerado dessas iniciativas em questões técnicas, muitas vezes em detrimento de preocupações contextuais. Não se deve deixar de ter em conta os diferentes acessos às tecnologias, que variam graças a fatores sociais, culturais, económicos, de cada família.

Uma tal perspetiva crítica não encontra eco na retórica habitual de uma visão encantada em torno da sociedade da informação. Atribui-se um tal poder a uma força sem forma, que é a informação associada ao digital, parecendo que esta existe independentemente da atividade humana.

A capacidade de analisar criticamente o impacto das tecnologias de informação e comunicação na vida das pessoas e de fazer escolhas conscientes é um fator decisivo para uma cidadania esclarecida. Sabemos como os media digitais podem moldar ou incitar a determinadas visões do mundo. Por isso não são suficientes estratégias que visem apenas fomentar o uso dos gadegts digitais para parecer moderno e descurar pistas para usos mais críticos.

Paddy Cosgrave, um dos criadores do Web Summit, costuma referir em entrevistas que, apesar de usar os habituais aparelhos digitais, a sua ferramenta favorita continua a ser o lápis e que sublinhar é a sua meditação. O que é analógico continua a ter valor, por isso encontrar o equilíbrio entre digital e não digital é importante para ajudar a tirar o melhor proveito dos dois universos.


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