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Educar na era das selfies

Muitas vezes aparecem nos jornais notícias de pessoas que se magoam ou morrem porque estavam a tentar obter a melhor selfie. Se queremos educar as crianças para um uso moderado deste tipo de fotos, cabe aos pais pensarem se não estão eles próprios um pouco obcecados com esta prática.

LUÍS PEREIRA

É cada vez mais habitual uma criança crescer rodeada de aparelhos manipuláveis através do toque. Muitos pais permitem que os seus filhos brinquem com os seus aparelhos digitais e não ficam surpreendidos com o que eles conseguem fazer. Na verdade, uma criança pode tirar uma selfie mesmo antes de conseguir sequer falar. As crianças ganham, assim, o hábito de tirar fotografias a si próprias desde cedo. Há especialistas que consideram a obsessão pela própria imagem normal, como quando se olham ao espelho fixamente. Por outro lado, consideram os especialistas que o vício de fazer autorretratos pode mais tarde degenerar em algum problema de aceitação da sua imagem e do seu próprio corpo.

Entre os adolescentes, a prática de fazer e partilhar selfies preocupa os pais, sobretudo porque se torna um vício e ainda porque partilham fotos íntimas. Definição de identidade, chamada de atenção ou procura de aceitação, são algumas das razões apontadas para o sucesso e interesse nas selfies na adolescência. O facto de as crianças começarem muito cedo com esta prática poderá também ajudar a explicar este fenómeno.

O termo selfie popularizou-se na década passada, graças ao surgimento de telemóveis com melhores câmaras e à facilidade de partilha imediata nas redes sociais. Mas o risco das selfies não é só pelo facto de se partilharem fotos dos mais pequenos na Internet. Começa antes disso, na perceção que as crianças vão ganhando de que os momentos não se vivem se não forem fotografados e partilhados nas redes sociais.

Muitas vezes aparecem nos jornais notícias de pessoas que se magoam ou morrem porque estavam a tentar obter a melhor selfie. Se queremos educar as crianças para um uso moderado deste tipo de fotos, cabe aos pais pensarem se não estão eles próprios um pouco obcecados com esta prática.

O fenómeno das selfies carece ainda de explicação, mas torna-se claro que quem partilha este tipo de fotografias procura alguma aprovação dos seus seguidores ou ter impacto na sua rede de contactos nas diferentes redes. As celebridades usam amplamente este fenómeno para conseguirem mais seguidores e aumentarem a sua popularidade ou ainda para alimentarem a aura da sua personagem pública.

As famílias, sobretudo em tempo de férias, é muito comum tirarem fotografias e registar os momentos passados em atividades de lazer. Mas como se tiravam fotos antes de haver telemóveis?

Os pais podem explicar como surgiram as fotos que têm em casa da sua própria infância, quando não havia smartphones, e como funcionavam as máquinas e o tempo que era necessário para a revelação das fotografias... Vai ser uma descoberta interessante, sobretudo se acompanhada de imagens dessas máquina e vídeos (facilmente encontrados na Internet), que demonstrem a evolução do processo de fotografar. E se conseguirem ir mais atrás no tempo, poderão chegar à pintura e aos autorretratos dos artistas – que não eram outra coisa senão uma selfie, mas em aguarela.


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