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“Obesidade digital” – uma realidade que deve preocupar

Como podem os pais reagir quando o seu filho, ou filha, lhes pedem esse tipo de bebidas para levar para a sua atividade desportiva favorita? Este é um bom ponto de partida para a compreensão do que é, e como funciona, a publicidade, sobretudo quando associada à Internet.

LUÍS PEREIRA

A imagem de desportistas aparece associada com frequência a bebidas energéticas. Considerando que o YouTube consegue orientar a publicidade para um público-alvo definido como relevante, é plausível que uma criança que gosta de vídeos de futebol já se tenha cruzado com uma dessas campanhas publicitárias. É, pois, natural que na cabeça dessa criança estas bebidas sejam boas – e até necessárias ou benéficas – para quem pratica desporto.

Como podem os pais reagir quando o seu filho, ou filha, lhes pedem esse tipo de bebidas para levar para a sua atividade desportiva favorita?

Este é um bom ponto de partida para a compreensão do que é, e como funciona, a publicidade, sobretudo quando associada à Internet.

Estar informado para poder esclarecer

Continuando com o exemplo das bebidas energéticas, são os pais quem primeiro tem de compreender que estas bebidas contêm um altíssimo teor de açúcar (algumas podem ter até cerca de 20 colheres). Esta forma de hidratação só será benéfica para quem pratica muitas horas seguidas de intensa atividade física, ajudando assim a repor os níveis de energia.

Para as crianças, a água é sempre a melhor solução. Isto mesmo deve ser explicado aos mais pequenos. Aliás, pode até ser divertido ensiná-las a tirar sentido da informação dos rótulos das bebidas. E também a notar como é que essa informação está quase “escondida” para que passe despercebida. Para quem faz publicidade, o objetivo é vender, mesmo que isso cause graves problemas de saúde aos consumidores.

Com efeito, a Organização Mundial da Saúde, apoiada em resultados de investigação científica, identifica a obesidade como uma doença. A publicidade para crianças é vista como uma das causas do aumento do consumo de alimentos pouco saudáveis.

Desmontar as mensagens veladas das estratégias de marketing das grandes marcas é uma forma de combater o consumo excessivo de comidas e bebidas que até parecem cool e divertidas, embora com consequências muito pouco engraçadas.

Explicar a publicidade

Agora que se aproximam importantes eventos desportivos, como o Campeonato Europeu de Futebol ou os Jogos Olímpicos, este pode ser o pretexto para reparar nas marcas que se associam a organizações com impacto mundial.

Por exemplo, a McDonald's é uma das mais antigas patrocinadoras dos Jogos Olímpicos. Qual será, então, o objetivo de esta marca de comida, conhecida como fast food, se associar a um evento que nos apresenta corpos saudáveis capazes de se superarem? E outras questões, de mais pormenor, podem ser feitas: qual é o nome da refeição que é suposto as crianças comerem quando vão a este restaurante de comida rápida? Sim, happy meal, ou seja, a ideia de refeição – que torna quem a come – feliz. Apenas um pormenor, mas na publicidade os detalhes fazem parte da ilusão.

Explicar a publicidade é uma tarefa complexa, mas aguçar o interesse sobre como nos vendem um determinado produto pode fomentar nas crianças um olhar mais crítico. O papel que a literacia mediática tem na vida das pessoas explica-se bem em casos como este: a incapacidade de ler criticamente as estratégias de marketing pode ter graves consequências na saúde das pessoas, com enfoque nas crianças.

Apps para combater o excesso de peso

Outro hábito que tem alterado o comportamento das pessoas, sobretudo nas sociedades ocidentais, é o uso dos media digitais, que nos tornam mais sedentários. O apelo para ficar a jogar, a ver televisão ou vídeos na Internet pode substituir-se a outras atividades mais físicas.

Por outro lado, graças aos smartphones, existem cada vez mais aplicações que nos permitem medir aspetos da nossa vida que antes não conseguíamos fazer.

Quantos passos deu hoje? Quantas calorias ingeriu? Quantos quilómetros correu no último mês? Com um telemóvel e Internet podemos basicamente monitorizar estes e outros parâmetros da nossa rotina.

Usar aplicações para medir a atividade física ou até com sugestões de exercícios para fazer na sala de estar é também uma forma de combater o sedentarismo e a obesidade. Os pais podem usar o seu telemóvel para contar os passos, para cronometrar as corridas de bicicleta, ou seguir sugestões de exercícios físicos. Esta pode ser uma motivação extra para as crianças que gostam de medir e se entusiasmam quando superam as suas marcas.

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