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Participação não violenta nos media digitais

Depois de ver mais um filme com explosões e armas, uma criança pergunta aos pais porque é que a TV mostra tanta violência. A resposta poderia ser: a violência ajuda a criar tensões que oferecem intensidade às histórias e prendem a atenção do espectador.

LUÍS PEREIRA

O tópico da violência nos media tem sido muito debatido. Para alguns, a TV, o cinema ou videojogos violentos tornam as crianças agressivas; para outros, não é possível estabelecer uma relação direta, ignorando um conjunto de fatores contextuais. Isto para apresentar de forma muito simplificada duas posições que se confrontam com frequência.

Independentemente da perspetiva, parece uma evidência que com o uso cada vez mais frequente dos media cresce o contacto com conteúdos de natureza violenta. Para além disso, os novos media digitais trouxeram a possibilidade não só de aceder mas também de disseminar violência não ficcional. E isso parece atrair espectadores.

O desafio de promover comportamentos éticos e de respeito pelos outros, sendo essencial, não é tarefa fácil, como o demonstram alguns acontecimentos que vão aparecendo nas notícias: pessoas filmadas enquanto são atacadas, com vídeos amplamente disseminados na Internet; às vezes, transmitidos em direto.

A violência, que não é só física, faz parte da realidade. Como integrar este conceito, explicá-lo às crianças e como as proteger é uma tarefa de todos, mas recai sobretudo nos pais e na escola.

Fazer ver às crianças que cada um tem o direito a que a sua imagem seja protegida, por exemplo, a não ser filmada ou fotografada em situações desconfortáveis, é um bom começo. Se alguma situação desagradável acontecer, é importante que os mais pequenos sintam abertura para falar com professores e pais sobre isso; e que saibam até que as autoridades devem intervir em casos de gravidade maior.

Há já consciência na sociedade de que o cyberbullying – quando uma criança é atormentada, ameaçada ou envergonhada online – é uma realidade que deve merecer cuidado. O cyberbullying tem consequências graves para as crianças, tendo já levado ao suicídio. Muitas iniciativas em escolas têm alertado para esta realidade e é importante que o assunto continue presente nas agendas das entidades educativas.

Por outro lado, é essencial que os adultos consigam dar o exemplo quando usam a Internet e as redes sociais. É possível presenciar situações de agressividade a acontecerem diariamente nas redes sociais. Pessoas, ou grupos de pessoas, a atacarem alguém ou ideias que não são do seu agrado. A discussão é necessária e desejável, mas o teclado e o ecrã parece que potenciam comentários e reações energúmenas.

A educação para a utilização dos meios digitais requer em primeiro uma dimensão de proteção. Os ambientes em que as crianças circulam devem sancionar comportamentos disruptivos e ameaçadores, de modo que elas se sintam seguras. Por outro lado, não basta trabalhar esta vertente mais defensiva, mas também estimular uma participação ativa e ética. Como encorajar comportamentos positivos, os valores da solidariedade e respeito pelos outros é hoje mais necessário do que nunca. E quanto mais a Internet for utilizada, mais esta dimensão pacífica é necessária. Muito sumariamente, trata-se de uma questão de cidadania (digital).

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