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Razões para os professores usarem o Pokémon Go

Várias atividades podem ser feitas com as crianças, como imaginar outros jogos com realidade aumentada e, a partir daí, partir para eventuais utilizações desta tecnologia na vida das pessoas.

LUÍS PEREIRA

Como é habitual, quando surge uma nova tecnologia ou uma atividade se massifica, são os casos caricatos que ganham maior destaque. Acontecimentos como ajuntamentos inesperados, lesões provocadas por causa da atenção no ecrã do telemóvel, espaços privados a serem invadidos, privacidade online ameaçada, entre outros, ganharam espaço nos media. No entanto, o fenómeno repentino do jogo Pokémon Go é difícil de explicar, mas vale a pena tentar compreender algumas das razões para tamanho impacto. O que é, afinal, o Pokémon Go? Trata-se de um jogo gratuito para ser instalado em dispositivos móveis, que usa realidade aumentada com base na localização do jogador, através do GPS. O objetivo é apanhar Pokémons. Por incrível que pareça, foi lançado apenas em julho deste ano, para assinalar o vigésimo aniversário da empresa Pokémon, um consórcio que inclui a Nintendo.

Como apanhar o primeiro Pokémon? Depois de instalado o jogo e criado o avatar (a nossa personagem no jogo), é possível apanhar um Pokémon que aparece no local onde se encontra o jogador. Em seguida, é sair à rua para ir à caça de mais ‘bichinhos’, procurando em vários locais, como ruas, museus, centros comerciais.

Entretanto, há várias opções, por exemplo deixar que o telefone vibre quando se está na proximidade de um Pokémon, que passa a figurar no mapa. Não é de estranhar que, sem razão aparente, um grupo de pessoas com olhar fixo no telemóvel se concentre num qualquer lugar – logo surgirá a suspeita de algum tipo de atividade relacionada com o Pokémon Go. Depois um novo léxico começa a fazer mais sentido: para além de Pokémon, outras palavras, como Pokestop, Pokeball, Gym, entram nas conversas dos jogadores.

Como é que a escola pode usar este jogo? Estudos recentes demonstram que a realidade aumentada – ou seja, a sobreposição de conteúdos digitais em ambientes reais – torna a aprendizagem mais imersiva ou envolvente. A partir deste jogo, que sobrepõe realidade e digital, temáticas que envolvam mapas, calcular distâncias, orientação, design, podem ser exploradas em ambiente de sala de aula. Para mais ideias sobre como usar o Pokémon Go nas diferentes disciplinas, este website (em inglês) apresenta dicas interessantes.

Um das vantagens desta app é que não implica custos, já que o jogo é gratuito, e é para ser jogado num dispositivo que habitualmente as pessoas já possuem (o telemóvel). Há alguns Pokémons que são estrategicamente colocados em espaços educativos para que os alunos passem por lá, como a biblioteca, levando os estudantes a locais que, porventura, não costumam ir. Várias outras atividades podem ser feitas com as crianças, como imaginar outros jogos com realidade aumentada e, a partir daí, partir para eventuais utilizações desta tecnologia na vida das pessoas.

No caso das famílias, pais e filhos acabam por jogar juntos, o que torna este tempo de partilha familiar criativo e divertido. E traz pequenos e crescidos para a rua. Os jogos digitais estão associados à ideia de sedentarismo, por isso o exercício físico acaba por ser também um aspeto que merece ser assinalado.

Para além desta interação entre diferentes gerações, o jogo é motivo de conversas entre as crianças. Há dias, num consultório, enquanto esperava a sua vez, um menino iniciou o contacto com outro rapaz com a seguinte pergunta: “queres ver os meus Pokémons?”. Estes diálogos são suficientemente ricos para que a escola não os aproveite, pelo menos para tentar fazer alguma luz sobre este fenómeno cultural. E também para preparar as crianças para serem profissionais e cidadãos de um mundo cada vez mais digital.


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