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Homossexualidade: descoberta dolorosa!

O que leva adolescentes, confrontados com uma orientação sexual diferente da maioria dos pares, a pedir ajuda? Curiosamente, não é tanto a angústia de descobrirem que se sentem atraídos sexualmente por alguém do mesmo sexo, mas as consequências resultantes da descoberta deste facto por parte dos outros.

“É a primeira vez que digo isto a alguém. Ninguém sabe e ninguém desconfia. É uma confissão anónima, para todos aqueles que dentro de si lidam com o turbilhão de emoções que é descobrirem que olhar para um bonito corpo feminino se resume a uma completa e total indiferença. E quando esse momento chega, em que tudo aquilo que nos devia entusiasmar não entusiasma, sentimo-nos totalmente perdidos. Não desejo isto a ninguém. É uma batalha interior que nos atira para o chão, que não nos deixa viver connosco próprios. Não há nada mais confuso que perceber que nos sentimos atraídos por alguém igual a nós. Não há nada mais estranho que o nosso coração bater a duzentas mil pulsações por alguém que era suposto não bater.”

Anónimo

Este é um pequeno extrato de um artigo intitulado “Ser gay: sobre a dor e sobre a culpa”, elaborado por uma pessoa anónima e comentado por Isabel Feio, no site “Maria Capaz”. Trata-se de um artigo muito interessante, porque reflete, com profundidade, o quanto é difícil para este jovem aceitar o facto de não poder ir ao encontro do que seria expectável para a maioria das pessoas que o rodeiam. É tudo muito mais confortável e tranquilo quando nos movemos no que socialmente é olhado como normal!

O que leva adolescentes, confrontados com uma orientação sexual diferente da maioria dos pares, a pedir ajuda? Curiosamente, não é tanto a angústia de descobrirem que se sentem atraídos sexualmente por alguém do mesmo sexo, mas as consequências resultantes da descoberta deste facto por parte dos outros. Quando os pares, os amigos, os pais ou outros familiares descobrem tudo se complica… e muito!

Muitos jovens, numa fase inicial da descoberta da sua orientação sexual, sentem grande vontade em partilhar com os pares o facto de terem uma orientação homossexual, mas rapidamente percebem que isso cria uma atitude de repulsa e até de troça em relação a eles. A mensagem depressa passa e, em pouco tempo, são apontados de forma pejorativa por outros colegas, nomeadamente, no espaço escolar.

E os pais? Como lidam eles com a hipótese de homossexualidade dos filhos? Quando tomam conhecimento de que, afinal, os filhos não querem nada com pessoas do sexo oposto, os pais ficam em estado de choque e lutam para que eles mudem de ideias. Num atendimento recente, um pai dizia-me: “Não compreendo esta opção da minha filha. Sempre a respeitei, sempre respeitei a sua intimidade, nunca abusei dela… e então, porquê isto, agora? Se ela fosse já adulta, era mais fácil. Mas ela é adolescente. Que devo eu fazer?”. Ajudar os pais a gerirem a grande angústia que resulta da perda do filho que idealizaram e dar-lhes informações relativamente à vivência da sexualidade, no período da adolescência, que muitas vezes é pautado por experiências homossexuais, é importante. Sensibilizá-los para o facto de que a adolescência é uma etapa em que a identidade sexual ainda está em desenvolvimento e para os efeitos nefastos resultantes da proibição de contacto com potenciais namorados(as) é, igualmente, indispensável!

Confesso que me causa uma certa indignação a ignorância que gravita à volta desta questão. Como é que uma grande parte da sociedade continua a achar que ser homo, bi ou heterossexual é uma questão de opção e não algo que transcende a vontade da própria pessoa?! Como é que se continua a olhar para esta questão com tantos preconceitos, causando grande sofrimento a muitos jovens, quer os que assumem, quer os que guardam o seu segredo, como se de um crime se tratasse?!


ADRIANA CAMPOS
Licenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do Padrão da Légua em Matosinhos.

Artigo originalmente publicado no Educare.pt

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