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Informação na Web – conhecer a ‘máquina’ para a poder operar melhor

No final do ano passado, um relatório da entidade reguladora dos media Ofcom, do Reino Unido, dava conta de que apenas cerca de 30% dos jovens (12-15 anos) inquiridos era capaz de distinguir um anúncio de um link relevante numa pesquisa no Google. Dados como este revelam que, para além do acesso, as crianças e jovens precisam de ser instigados a estar atentos aos detalhes quando fazem pesquisas na Internet. Disso depende a qualidade da informação recolhida.

Em seguida, são apresentados alguns tópicos e atividades para os pais desenvolverem com as crianças, para valorizar a importância de entender o funcionamento da web.

1. Diversificar as fontes

Por paradoxal que pareça, a quantidade de recursos não se traduz necessariamente em diversidade. Quando, antes, havia dois ou três livros ou enciclopédia disponíveis na estante, em lugar dos milhares que uma pesquisa no Google nos dá, um trabalho sobre um escritor originava relatórios mais diversificados do que acontece agora. Muitas vezes, os alunos repetem-se uns aos outros e isto acontece porque os meios usados são basicamente os mesmos.

Um cartoon dizia que o melhor local para esconder segredos é a página dois do Google – precisamente porque poucos são os que avançam para além dos primeiros resultados facultados por uma pesquisa.

Como forma de evitar a preguiça do copy-paste, uma sugestão de uma atividade interessante, e muito tradicional, seria pedir para tomar notas à mão. Para evitar escrever muito, será natural ir à procura apenas da informação essencial – e é precisamente isso que deve acontecer nos trabalhos escritos no computador.

2. Criar para testar

Quando se cria um blogue, por exemplo, e se faz uma pesquisa a seguir, perceber-se que dificilmente esse website acabado de criar aparece indicado numa pesquisa no Google. Isso dá a ideia de que não conseguimos encontrar tudo que está online numa consulta com um motor de busca.

Uma outra atividade que pode ajudar as crianças a perceberem a lógica da web é criar ou editar um conteúdo na Wikipédia. Dar conta de que um dos recursos que tem maior destaque em grande parte das buscas pode, afinal, ter este tipo de contributos ajudará a relativizar o valor da informação que aí encontramos.

3. Somos todos responsáveis pelo ambiente... online

Numa lógica mais estrita, talvez seja demasiado ambicionar que todos os utilizadores sejam também produtores de conteúdo. Porém, o simples facto de estarmos numa rede social é já uma forma de participar. Talvez a informação que partilhamos não tenha grande interesse fora de um grupo restrito de pessoas. Por outro lado, os ‘likes’ que fazemos ou os links que partilhamos são, por si, uma forma de participação que merece discussão.

A propósito da situação gerada pelos refugiados da Síria, foi possível observar que várias notícias falsas, e manipuladas, rapidamente se propagavam através das redes de contactos/amigos. Nestes casos, antes de partilhar, é essencial verificar a fonte, olhando por exemplo para os links. Se for de um jornal tem um relevo diferente; caso seja de fonte desconhecida, é preferível não confiar e, por isso, não publicar. Sem querer, podemos estar a dar aval a grupos que promovem valores contrários àqueles em que acreditamos.

Vale, pois, a pena estar atento às instituições ou artigos em que colocamos ‘like’, para evitar ser emissário de notícias ou vídeos com conteúdo xenófobo ou, de algum modo, ofensivo. Acontece ainda outro fenómeno, a partilha de uma notícia que já aconteceu há algum tempo. Por isso, fonte, data, confrontação com notícias de outros órgãos nacionais ou internacionais deve ser uma prática corrente para uma higienização das redes sociais, pois é também por aqui que recolhemos informação.

4. Promover o espírito crítico

Nos assuntos da internet, não esperem os adultos estar imunes a cair no engano. Isso inclui profissionais da comunicação social e membros da academia. O caso de um estudo que mostrava que o chocolate fazia emagrecer correu jornais e televisões de pelo menos 20 países. Mais tarde, veio a verificar-se que afinal esta tinha sido forjada por um jornalista para testar até onde podia levar a sua invenção científica. Contou o próprio que, com isto, demonstrou que as notícias sobre ciência publicadas em jornais precisam de ser mais escalpelizadas.

Talvez tudo possa parecer novo, no entanto, no tempo em que só líamos jornais ou seguíamos as notícias pela televisão, o nosso filtro também devia estar alerta. Sempre foi importante perceber que há diversos interesses ou erros involuntários na construção da informação.

O Google, o motor de busca mais popular entre nós, é mais complexo do que aparenta, permitindo buscas sobre um assunto, por exemplo, em jornais ou limitar a pesquisa a artigos científicos. Quanto melhor se conhecer essas ferramentas, bem como a sua lógica, melhor uso podemos fazer da informação que nos faz chegar. Muitas vezes os professores lamentam que os alunos coloquem nas referências bibliográficas o Google. Isto seria o equivalente a dizer biblioteca ou quiosque – nada diz, portanto, sobre os recursos utilizados. Demonstra, antes, uma certa iliteracia digital.

Na verdade, compreender a forma como a web se organiza, e como pode ser manuseada, representa uma importante vantagem no nosso mundo, onde a informação, consumida e partilhada, é cada vez mais um factor crítico.

Luís Pereira

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