Login
Comprar
Para alunos e pais
Para professores
Para instituições
Outros produtos, serviços e funcionalidades
Blogue EV e Webinars
Ajuda
O ressonar consiste num ruído inspiratório produzido pela vibração dos tecidos moles da faringe, que ocorre quando se pretende respirar contra um aumento da resistência das vias aéreas durante o sono.
É normal as crianças e/ou adolescentes ressonarem?
Ressonar não é normal! Se o seu filho ressona habitualmente, deve informar o médico de família e/ou o pediatra assistente.
O ressonar é o sintoma mais frequente da perturbação respiratória do sono (PRS).
A PRS varia desde um ressonar simples a uma forma mais grave chamada síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS).
É frequente as crianças e/ou adolescentes ressonarem?
Cerca de 2% a 12% das crianças/adolescentes ressonam. Um quinto destas crianças/adolescentes que ressonam têm
SAOS.
Atinge mais os rapazes ou as raparigas?
Ao contrário dos adultos, em que o sexo masculino é o mais afetado, a PRS na infância afeta igualmente ambos
os sexos.
Quais são as causas do ressonar?
Na sua origem podem estar causas tão variadas como constipações, hipertrofia adenoamigdalina, obesidade,
desvios do septo nasal, aumento dos cornetos nasais, rinite alérgica, doenças neuromusculares ou anomalias
craniofaciais… A lista é enorme! E na mesma criança/adolescente podem coexistir várias destas situações.
A causa mais comum é o aumento de volume das amígdalas e adenoides, particularmente entre os 3 e os 10 anos, coincidente com o período de maior desenvolvimento do tecido linfoide das vias respiratórias superiores.
A obesidade, um dos fatores mais frequentemente relacionados com a PRS no adulto, é também cada vez mais um importante contributo nesta faixa etária, especialmente nos adolescentes.
O que é a SAOS?
A síndrome de apneia obstrutiva do sono caracteriza-se pela obstrução recorrente, parcial ou completa, da via
aérea superior, traduzindo-se pela ausência ou diminuição do fluxo aéreo nestas estruturas. Esta obstrução
conduz à diminuição do oxigénio e ao aumento do dióxido de carbono no organismo. Estas alterações
respiratórias causam pequenos despertares durante a noite, fragmentando e perturbando o sono.
Além do ressonar, que outras queixas podem ter as crianças/adolescentes com PRS?
Como se faz o diagnóstico de PRS?
O diagnóstico da perturbação respiratória do sono pode ser só clínico, isto é, baseado numa história clínica
detalhada e num exame físico completo, não sendo necessário realizar exames complementares de diagnóstico.
Poderá ser útil realizar um estudo poligráfico do sono, que é um exame realizado num laboratório do sono durante uma noite inteira e que permite avaliar a respiração e as atividades cerebral, muscular e cardíaca, entre outros parâmetros.
Podem também ser utilizados questionários do sono.
Qual é o tratamento da PRS?
O tratamento depende da causa e da gravidade. Por vezes, recorre-se a mais do que um tratamento na mesma
criança/adolescente. Dado que a principal causa de PRS em idade pediátrica ser a hipertrofia adenoamigdalina,
um dos tratamentos mais frequentes é a adenoamigdalectomia. Os corticoides nasais são usualmente utilizados,
com alguma eficácia, na ausência de indicação cirúrgica, enquanto se aguarda pela cirurgia ou quando a
cirurgia não foi totalmente curativa. Quando se associa à obesidade, a redução do peso é o tratamento de
eleição. Em certos casos, poderá ser indicada a utilização durante o sono de ventiladores - aparelhos que
aplicam uma pressão positiva de ar nas vias aéreas através de uma máscara nasal ou oro-nasal de forma a evitar
o seu colapso.
Podem também ser indicadas outras cirurgias: correção do desvio do septo nasal, remoção de pólipos nasais, limpeza dos cornetos nasais.
A correção ortodôntica (expansão maxilar) pode ser necessária.
A instituição de hábitos saudáveis de sono, dado a privação de sono reduzir o tónus muscular e aumentar o colapso da via aérea superior e a evicção do fumo de tabaco são igualmente medidas importantes.
Qual é o prognóstico da PRS?
Na ausência de tratamento, a PRS, particularmente a sua forma mais grave, a SAOS, pode ter implicações
importantes no crescimento e desenvolvimento da criança, nomeadamente má progressão ponderal, assim como
consequências neurocognitivas (alterações do comportamento, irritabilidade, hiperatividade e défice de atenção
e dificuldades de aprendizagem), cardiovasculares e metabólicas.
Assim, uma criança que ressona habitualmente deve ser observada pelo médico, visto que a gravidade do ressonar, assim como as suas causas, pode ter consequências importantes no desenvolvimento da criança.
Ana Catarina Guimarães
(Este artigo foi elaborado com a colaboração de Carla Moreira e Augusta Gonçalves, Pediatras do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga)
SERVIÇO DE PEDIATRIA DO HOSPITAL DE BRAGA
Este artigo é da autoria da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.
Artigo originalmente publicado no Educare.pt
Pediatria Hospital Braga
Pediatria Hospital Braga
Maria Guerreiro
Serviço de Pediatria do Hospital de Braga