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Estratégias de gestão de sala de aula

Algumas das sugestões apresentadas são tão simples que alguns professores imediatamente as desvalorizam, colocando desta forma de parte estratégias que, apesar de pouco complexas, poderiam fazer a diferença...

"Sendo porém óbvio que mesmo no 2.º e 3.º ciclos há turmas que infernizam a vida a determinados professores e revelam comportamentos adequados com outros, é inevitável concluir que a diferença de atitudes dos alunos tem em grande parte origem no comportamento dos professores."

João A. Lopes (2001). Problemas de Comportamento, Problemas de Aprendizagem, Problemas de "Ensinagem".Quarteto Editora, Coimbra.

A citação com que começo este artigo foi extraída do livro mencionado, que serviu de instrumento de reflexão para a abordagem deste tema. Ao longo das páginas desta obra, que desde já aconselho a todos os que se preocupam com esta temática, são dadas sugestões que, sem serem complexas ou milagrosas poderão ajudar a gerir uma sala de aula. Algumas das sugestões apresentadas são tão simples que alguns professores imediatamente as desvalorizam, colocando desta forma de parte estratégias que apesar de pouco complexas poderiam fazer a diferença...

Segundo Doyle, a gestão de sala de aula é o conjunto de ações e estratégias que os professores utilizam para resolver o problema da ordem. Um dos aspetos indispensáveis para manter a ordem é a atuação rápida e eficaz do professor sobre os acontecimentos. A hesitação é vista pelos alunos como um indicador de vulnerabilidade, como um sinal de que é possível "esticar mais a corda". O professor que não toma decisões rápidas, rapidamente tem muitos alunos empenhados em testar os limites e em infernizar-lhe a vida.

O professor eficaz exige que os alunos entrem na sala de aula de uma forma ordenada. Não é tão invulgar como isso os alunos entrarem na sala de aula aos empurrões e em passo de corrida. Apesar de muitos professores não valorizarem este aspeto, na verdade quando a aula começa mal a probabilidade de continuar a correr mal é maior. A entrada ordenada deve por isso ser instituída como uma rotina, devendo os que se esquecem de cumprir esta regra ser obrigados a sair e a reentrar na sala de aula de uma forma ordenada. A saída da sala deve obedecer às mesmas regras.

Antes de iniciar a lição propriamente dita, o professor deverá usar um sinal específico ou verbalizar algo que os alunos entendam como um indicador de que a partir daquele momento terão de se calar e prestar atenção. Quando este indicador não existe, o professor começa a falar tentando que a sua voz se sobreponha às conversas desordenadas dos alunos, o que frequentemente é pouco eficaz.

Uma outra estratégia fundamental para facilitar a gestão da sala de aula, ajudando os alunos a aprender a falar um de cada vez e a controlar a sua impulsividade consiste em exigir que qualquer participação seja antecedida do levantamento do braço. "Levantar o braço" tem uma importante função na regulação do comportamento dos alunos. Embora esta possa parecer uma regra demasiado elementar para ser aqui enunciada, não o é assim tanto, se tivermos em consideração que muitas vezes numa situação de grupo são aceites participações que não foram antecedidas do levantamento do braço. Quando tal acontece põem-se em causa regras anteriormente definidas. O que parecia um pormenor de menor importância torna-se algo fundamental, uma vez que o que está em jogo são questões de coerência.

Um outro aspeto fundamental para manter a ordem na sala de aula prende-se com o contacto visual. Para evitar comportamentos perturbadores é fundamental manter o contacto visual com a turma. Quando tal não acontece a tentação da asneira aumenta seguramente. O professor que permanece longos períodos sentado e que não consegue "varrer" a sala com o seu olhar vê aumentada a probabilidade de vir a ter de confrontar-se com comportamentos disfuncionais.

A necessidade urgente de os professores darem cada vez mais importância a estas questões, de forma a não inviabilizar o ensino, levar-me-á a retomar esta reflexão num próximo artigo.

Bibliografia: João A. Lopes (2001). Problemas de Comportamento, Problemas de Aprendizagem, Problemas de "Ensinagem".Quarteto Editora, Coimbra.


ADRIANA CAMPOS

Licenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do Padrão da Légua em Matosinhos.

A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.

Artigo originalmente publicado no Educare.pt

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