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Qual o papel dos anti-histamínicos nas constipações?

As constipações podem ser causadas por mais de 200 tipos diferentes de vírus, no entanto o rinovírus e os coronavírus são os mais frequentes.

As constipações são uma das doenças mais comuns nas crianças. Um adulto tem em média 4 a 6 episódios por ano. Uma criança habitualmente tem mais: 6 a 8 por ano.
Rinorreia (escorrência pelo nariz; "pingo" do nariz), obstrução nasal, irritação da garganta, tosse e febre são os sintomas habituais.

Nas crianças, os sintomas duram entre 1 e 2 semanas. A maioria sente-se melhor após os primeiros 10 dias. No entanto, algumas mantêm rinorreia, congestão nasal e tosse por mais tempo. Em adição, é frequente desenvolverem um segundo episódio enquanto ainda recuperaram do primeiro e assim sucessivamente, dando a impressão de ser uma constipação que dura semanas ou meses, particularmente no outono e no inverno.

As constipações podem ser causadas por mais de 200 tipos diferentes de vírus, no entanto o rinovírus e os coronavírus são os mais frequentes.

Não são necessários exames laboratoriais para o seu diagnóstico.

O tratamento de suporte é o único recomendado:

A desobstrução nasal através da aplicação de soro fisiológico ou água do mar associada, nas crianças mais pequenas, à aspiração nasal pode ajudar à remoção temporária das secreções.

Os antipiréticos como o paracetamol aliviam a febre e as cefaleias que por vezes acompanham esta patologia, sendo indicados nestas situações. Porém, não interferem com o curso da doença.

Não existe nenhum outro tratamento que tenha demonstrado eficácia clínica nos ensaios realizados.

Os anti-histamínicos de 2.ª geração são importantes no tratamento da rinite alérgica, situação em que os sintomas são desencadeados pela libertação de histamina. Ao bloquearem os recetores da histamina, impedem a sua ação, reduzindo a comichão, os espirros e a rinorreia. São medicamentos bem tolerados e praticamente desprovidos de efeitos laterais.

Na constipação comum não há libertação de histamina, o que explica o facto de não serem eficazes nesta doença.

Os anti-histamínicos de 1.ª geração, pelos seus efeitos anticolinérgicos que têm associadamente aos seus efeitos anti-histamínicos, teoricamente poderiam ajudar a reduzir as secreções associadas à constipação. No entanto, em ensaios clínicos controlados, estes fármacos têm-se mostrado ineficazes no alívio dos sintomas das crianças constipadas.

Dois ensaios clínicos controlados e randomizados avaliaram os efeitos destes anti-histamínicos de 1.ª geração em crianças com idades compreendidas entre os 6 meses e os 5 anos:

O primeiro estudo que comparou 3 grupos - crianças tratadas com anti-histamínico, crianças tratadas com placebo (substância inerte, desprovida de efeitos terapêuticos) e crianças sem tratamento - não se encontrou diferenças relativamente à melhoria dos sintomas ou à perceção de melhoria por parte dos pais.

O segundo estudo, comparou 2 grupos - crianças tratadas com anti-histamínico versus crianças tratadas com placebo - também não registou melhoria dos sintomas (rinorreia, congestão nasal e tosse) em ambos os grupos. No entanto, no grupo tratado com anti-histamínico, um maior número de doentes estava adormecido duas horas após a toma da medicação (47% do grupo tratado com anti-histaminico versus 26% do grupo placebo).

Existem mais estudos com resultados semelhantes.

Dada a potencial toxicidade destes fármacos - sedação, agitação paradoxal, depressão respiratória e alucinações - e a ausência de eficácia provada, os anti-histamínicos de 1.ª geração não têm interesse no tratamento das constipações.

Por ser uma patologia causada exclusivamente por vírus, os antibióticos também não são indicados.

Não existe medicação que tenha provado ser eficaz na prevenção desta maleita. De igual modo, não existem vacinas eficazes para a sua prevenção. A melhor medida preventiva consiste na lavagem das mãos após o contacto com alguém constipado.

A boa notícia é que, apesar da frequência, duração e incómodo da constipação, esta é uma situação benigna que na grande maioria das vezes se resolve sem complicações e tende a diminuir em frequência e intensidade à medida que as crianças crescem.

Carla Moreira, com a colaboração de Augusta Gonçalves, pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos, Braga

SERVIÇO DE PEDIATRIA DO HOSPITAL DE BRAGA

Este espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).

A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.

Artigo originalmente publicado no Educare.pt

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