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Nas redes sociais, amigo do meu amigo, meu amigo é?

Quem está familiarizado com a gíria das redes sociais, reconhece termos como seguidor, gosto/like, contactos... Mas a palavra mais bem escolhida é, sem dúvida, amigo. Afinal, quem não quer ter muitos amigos!?

O ideal das redes sociais é que todos sejamos amigos de todos. Essa ilusão de que fazemos parte de uma alargada rede de amigos é um dos segredos do sucesso destas plataformas digitais.

Como é que a internet está a mudar a ideia de amigos? Aquilo a que já estamos mais ou menos habituados é que o espaço virtual serve para conectar pessoas que se conhecem na vida real. Para as gerações mais novas, já não é exatamente assim. De acordo com uma investigação, as crianças fazem e mantêm amigos online, que conhecem sobretudo em plataformas de jogos digitais. E não se chegam a encontrar nunca.

A ideia de fazer amigos que não conhecemos fisicamente não surgiu, contudo, com as redes sociais. Muito antes da implementação da internet, existia por exemplo a iniciativa Penfriend, onde se comunicava através de carta com uma pessoa completamente desconhecida.

O impacto das redes sociais é de escala completamente diferente. Por isso, será natural que nos perguntemos como estão Facebook, Instagram, Snapchat, e demais redes e plataformas de jogos, a alterar as relações que as pessoas estabelecem entre si.

Os pais ficam preocupados com a centralidade de dispositivos como os telemóveis na vida dos seus filhos. Para dar resposta a este problema, começam a aparecer iniciativas de desintoxicação digital para jovens. E alguns relatos dão conta de que os teenagers se surpreendem com o facto de conseguirem interagir com os seus amigos e colegas sem recorrerem ao telemóvel. E como comunicar offline pode, afinal, ser interessante.

Sabe-se que a tendência é para que a vida das pessoas seja cada vez mais digitalizada, nas suas várias dimensões. Não sabemos bem como será ter amigos daqui a uma década ou duas. Quem sabe, passaremos a ter como (melhor) amigo um robot.

Por agora, os pais devem interrogar-se se uma criança até aos 10 anos deve ou não cultivar a amizade através das redes sociais. Alguns pedagogos e pediatras têm vindo a dizer que a intensidade com que se vive a amizade nos primeiros anos de vida deveria focar-se mais na quantidade de nódoas, na roupa e nas pernas, do que no número de amigos no Facebook.

Luís Pereira

Artigo originalmente publicado no Educare.pt

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