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Dar voz aos alunos

“Como alunos, na escola, somos meros espectadores. Entramos nas salas, ouvimos o professor, não temos qualquer relação. Os alunos deviam ser ativos: reparando nos problemas e podendo fazer qualquer coisa para os resolver. Apropriávamo-nos da escola, tínhamos mais respeito uns pelos outros.”

Prós da Educação Inspiram. Recomendações para uma escola a funcionar no seu melhor. Comparte & Educação. No roteiro cidadania em Portugal 2016/2017

Já lá vão 3 anos (abril de 2018) que um grupo de 2643 alunos, na sequência do desafio apresentado pela Comparte (Projeto de envolvimento cívico da Fundação Maria Rosa) elaborou um conjunto de recomendações para que a escola funcionasse no seu melhor. A voz destes jovens, provenientes de 50 escolas, ficou registada num livro cuja ideia principal é a importância de os alunos serem ouvidos pelos professores, pelas direções das escolas e pelos decisores políticos, de forma a contribuírem ativamente para uma educação melhor. Considero a leitura deste livro obrigatória para quem trabalha em contexto escolar.

Em julho de 2021, o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu nova recomendação neste âmbito, que designou “A voz das crianças e dos jovens na educação escolar” (recomendação n.º 2/2021). Ainda mais recentemente, 12 de outubro, o CNE organizou um webinar com o mesmo tema, que, tal como o livro atrás mencionado, deveria ser amplamente analisado pelos vários intervenientes no contexto escolar, que diariamente interagem com crianças e jovens.

Tenho refletido bastante sobre estas questões e, de repente, parece-me estranho que algo tão óbvio seja esquecido. Não são as crianças e jovens que motivam a existência das escolas? Então porque não são ouvidos? Serão os adultos os únicos detentores de soluções? São eles que detêm em absoluto a chave para a resolução de questões difíceis? Penso agora numa aluna que recentemente frequentava o 9.º ano e que assumia uma atitude reivindicativa. Na verdade, pedia “coisas” simples, tais como: pôr a funcionar o relógio da sala de aula, tapar um pequeno buraco que existia na sala onde permanecia um maior número de horas e por onde o frio marcava presença e ter professores que acompanhassem a turma na viagem de finalistas. A uma atitude combativa seguiu-se uma certa apatia, pois os seus pedidos, apesar de ouvidos, não eram atendidos. Já mais perto do final do ano suspirava diariamente por mudar de escola. Sejamos honestos, os alunos habitualmente não são ouvidos!

Considero que todos os que trabalham na escola terão de dar o seu contributo para a mudança. Este ano letivo, na sequência de um estudo sobre o bullying cujo questionário e levantamento de dados foi feito por uma turma do 8.º ano e comprovou a existência deste fenómeno, toda a comunidade escolar vai trabalhar o tema. Os alunos terão, neste projeto, uma voz ativa, pois serão eles que, após um processo de formação, irão fazer propostas concretas para combater este problema, que claramente marca presença na escola que frequentam. Os alunos já constataram que as sessões de sensibilização de que foram alvo em anos anteriores não foram eficazes na erradicação do bullying e que outras estratégias terão de ser pensadas e implementadas. Confesso que estou expectante e entusiasmada com o contributo que certamente estes jovens darão para a mudança e para a promoção de um contexto escolar mais positivo.


ADRIANA CAMPOS
Licenciada em Psicologia pela Universidade do Porto, na área da Consulta Psicológica de Jovens e Adultos e mestre em Psicologia Escolar. Detentora da especialidade em Psicologia da Educação e das especialidades avançadas em Necessidades Educativas Especiais e Psicologia Vocacional e de Desenvolvimento da Carreira atribuída pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Atualmente desenvolve a sua atividade profissional no Agrupamento de Escolas do Padrão da Légua em Matosinhos.

A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado.

Artigo originalmente publicado no Educare.pt

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