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OCDE: ensino profissional faz aumentar diplomados do secundário

Há cada vez mais alunos a completar o ensino secundário em cursos profissionais. A percentagem de inscritos no ensino profissional continua, ainda assim, abaixo da média da OCDE. São algumas das notas do relatório “Education at a Glance 2023”, publicado em setembro.

Em Portugal, há mais jovens, entre os 25 e os 34 anos com o ensino superior, de 33% em 2015 para 44% em 2022. A percentagem dos que não acabam o ensino secundário desceu de 33% para 17%. Resultado do aumento dos diplomados do ensino profissional (de 14% para 20%), refere a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Ainda assim, a percentagem de inscritos nesta via está abaixo da média da organização: 39% e 44%, respetivamente.

Comparando as duas vias do ensino secundário, em todos os países membros e parceiros, a OCDE, revela que os alunos que frequentam a via geral têm taxas de conclusão, dois anos após a duração do programa, de 87%, enquanto os da via profissional de 73%. A maioria dos diplomados do ensino secundário (65%) segue estudos ao nível da licenciatura ou acima. Apenas um terço dos alunos do ensino profissional está a estudar, um ano após a conclusão do curso.

A flexibilidade de transferência entre as duas vias, geral e profissional, faz com que em alguns países os alunos acabem o ensino secundário numa via diferente daquela em que começaram, destaca a OCDE. Exemplos: no Chile e na Bélgica (comunidades flamenga e francesa), cerca de 20% dos alunos que iniciam o secundário na via geral, acabam por diplomar-se no profissional. No Brasil, Colômbia, Letónia e Noruega, sucede o contrário, pelo menos 10% dos alunos que concluem no secundário na via geral, iniciaram o ciclo no profissional.

O relatório “Education at a Glance 2023” tem nesta edição o foco no ensino profissional. Mas nele também se encontram dados sobre a evolução da escolaridade dos jovens e o custo por aluno nos 38 países membros, onde se inclui Portugal, e parceiros da organização.

Licenciaturas são opção n.º 1

A licenciatura é o programa mais popular entre os alunos que entram, pela primeira vez, no ensino superior, em quase todos os países membros e parceiros da OCDE. É a escolha de 76% de todos os recém-chegados. Em 2021, a média de idades dos licenciados era 26 anos.

Os cursos técnicos superiores profissionais, programas de curta-duração que preparam para o mercado de trabalho, são os segundos mais escolhidos no ensino superior. Em países como Áustria, Colômbia, Turquia e EUA mais de 40% dos recém-chegados ao ensino superior frequenta estes cursos. Por outro lado, em muitos países, esta oferta é muito menos prevalecente ou inexistente. Em Portugal, são opção para 11% do total de novas entradas.

A OCDE assinala ainda “significativas” diferenças de género nas escolhas das áreas de estudo, em todos os graus do ensino superior. Menos de um quarto das novas entradas nos cursos de curta duração de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (áreas CTEM) são mulheres, em comparação a mais de três quartos das primeiras entradas em saúde, serviços socais e educação.

Mais escolaridade, mais emprego

Entre os 25 e os 34 anos, em média, nos países da OCDE, as taxas de emprego de jovens com ensino superior são oito pontos percentuais mais elevadas, comparativamente aos diplomados do ensino secundário ou pós-secundário não superior. São ainda 26 pontos percentuais mais elevadas do que os que têm o 3.º ciclo do ensino básico ou abaixo. Em Portugal, esta diferença é de cinco e 18 pontos percentuais.

O relatório “Education at a Glance 2023” confirma que os jovens adultos que têm mais formação são os que auferem de melhores rendimentos. Os maiores níveis de escolaridade traduzem-se em melhores rendimentos. Os detentores do ensino superior ou equivalente ganham 44% mais do que os que concluíram o ensino secundário ou o ensino pós-secundário não superior profissional. Quem conclui o ensino superior de curta duração ganha, em média, 17% mais. Em Portugal estas percentagens são de 58%, na primeira comparação, e de 16%, na segunda.

Investimento na educação

Entre os países-membros e parceiros da OCDE, o custo anual por estudante varia entre os 10.700 dólares, no ensino primário (equivalente ao 1.º e 2.º ciclos em Portugal), 11.900 dólares no ensino secundário (equivalente ao 3.º ciclo e ensino secundário) e 18.100 dólares no ensino superior. Os dados disponíveis mostram que Portugal gasta em média, por ano, cerca de 11.00 dólares por aluno do ensino secundário.

Valores que, segundo a OCDE, “refletem o facto de nos níveis de escolaridade mais avançados serem necessários professores com qualificações superiores e conhecimentos especializados e que auferem de melhores salários”. O mesmo acontece com o ensino profissional, onde a especialização dos docentes, os equipamentos e as estruturas, por norma, obrigam a maiores gastos por aluno, por comparação aos cursos gerais. Em média na OCDE, o gasto por aluno no ensino secundário geral ronda os 11.400 dólares, face a 13.200 dólares para o aluno que frequenta a via profissional.

Em termos de custo por aluno, o Luxemburgo destaca-se com a quantia de 26.000 dólares, com ambas as vias geral e profissional a receberem bastante financiamento. Pelo contrário, Bulgária, Chile, Colômbia, México e Turquia gastam menos de 6.000 por aluno.

Olhando para os gastos cumulativos, dos 6 aos 15 anos de idade, em média os países e parceiros da OCDE gastam cerca de 112.000 dólares. Áustria, Dinamarca, Islândia, Luxemburgo e Noruega, gastam mais de 150.000 dólares por aluno ao longo destes anos. Colômbia, Roménia e Turquia, menos de 50.000 dólares.


ANDREIA LOBO
É jornalista especializada em educação desde 2007, e nos últimos anos tem colaborado na produção de conteúdos do EDULOG, o think tank para a educação da Fundação Belmiro de Azevedo. Integrou projetos de investigação e divulgação científica nas áreas da educação para os media e da aprendizagem da leitura e da escrita. Antes, trabalhou em meios de comunicação social como o jornal A Página da Educação e o portal EDUCARE.PT.

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